quinta-feira, 13 de setembro de 2007

MELHOR QUE UM CIRCO


CARTAZ 1
Pierre olhou agitado para a praça da Vila. Ele estava voltando da escola, carregando sua mala cheia de livros, quando viu dois homens montando uma tenda na praça! Ele sabia que algo especial iria acontecer. Pode ser um circo! E amanhã, quinta-feira, não haverá aulas!
Pierre ficou ali parado, olhando, com seus olhos castanhos cheios de alegria. Ora, nesta pequena vila do norte da França nunca acontece nada! A coisa mais empolgante que ele já havia feito foi escalar a montanha num dia claro e olhar além do canal para os penhascos brancos da Inglaterra. Aliás, durante o longo período de inverno, só o que havia era escola e trabalho, ajudando seu pai, um pescador. E ali estava uma tenda!
Os dois homens, que ele ouviu se chamarem Marc e Jacques começaram a distribuir pequenos folhetos - alguns rosa, outros azuis e até amarelos. Pierre leu o folheto que recebera com atenção. O folheto o convidava para uma reunião especial, no dia seguinte - às 3 horas - e era grátis! Emocionado, ele desceu a rua de paralelepípedos, indo para casa.
CARTAZ 2
Pierre correu para o prédio de apartamentos onde ele e sua família moravam. Ali na entrada, aproveitando os últimos raios de sol da tarde, estava a zeladora que era responsável pelo prédio. Pierre foi mais devagar quando a viu. Ele não sabia se gostava da zeladora ou não. Algumas vezes ela ralhou com ele por correr pelo apartamento com seus sapatos barrentos ou por deixar a bicicleta na estrada. Mas outras vezes ela lhe deu cartas e receber correspondências era bom.
“Por que você está correndo?” ela perguntou. Pierre parou. A zeladora sempre queria saber de tudo. Ele sabia que teria que contar-lhe sobre a tenda. Ele sacudiu seu folheto e explicou: “Dois homens estão montando uma tenda e me convidaram. Eu acho que é um circo com macacos e palhaços”.
Nisso a zeladora pegou o papel e leu rapidamente. Então ela o devolveu balançado os ombros. “Isso é tudo o que você sabe?” É tudo que posso dizer, sem contar que será um circo”.
Pierre guardou seu folheto. “Ela sempre está querendo estragar tudo. O que mais poderia ser senão um circo!” ele resmungou. E entrou em casa.
CARTAZ 3
Pierre subiu os 102 degraus até o 5º andar. Quando ele irrompeu pela sala de seu apartamento, viu seu pai, vestido de calças escuras de trabalho e seu velho suéter, sentado à mesa lendo o jornal.
Papai olhou para ele e sorriu em seus tristes olhos castanhos. Ele abaixou seu cachimbo e perguntou: “O que houve, Pierre?”
“Há uma tenda ali na praça. Deve ser um circo!” Pierre explicou enquanto dava a seu pai o folheto colorido. Então, de repente ficou triste. Um circo era uma coisa maravilhosa - não havia nada melhor. Mas a expressão do fino rosto de papai o deixou triste. Ele preferia que, em vez de um circo, a reunião fosse algo que pudesse ajudar seu pai. Ele sabia que seu pai não estava se sentindo bem porque tinha gasto muito tempo no consultório médico no fim da rua. O médico lhe receitou um remédio e lhe recomendou repouso. Mas papai não podia descansar porque tinha que trabalhar para ganhar dinheiro para comprar comida e roupa e pagar o aluguel para sua família.
Mamãe veio da cozinha, enxugando suas mãos em seu grande e desbotado avental azul. Pierre esqueceu sua tristeza quando explicou sobre a estranha tenda na praça da vila.
“Espero que seja algo maravilhoso para você” disse mamãe sorrindo.
A porta abriu e Nadette, a irmã de Pierre, entrou. Pierre achava, em segredo, que sua irmã era a menina mais bonita da vizinhança. Sim, ela era magra, e seu cabelo quase preto. Nadette tinha ido à padaria e estava trazendo uma grande bengala de pão.
Pierre sacudiu o folheto na frente dela, contando-lhe sobre a reunião. “Posso ir?” ela perguntou.
“Sim, sim, você pode vir também.” Pierre afirmou com a cabeça.
CARTAZ 4
Pierre mal pode dormir naquela noite, pensando na estranha tenda. Na manhã seguinte, muito antes que Pierre acordasse, papai foi pescar. Assim que Pierre acordou, ele tomou seu café da manhã, e correu para o cais para encontrar com seu pai e ajudá-lo a descarregar os peixes do barco. Pierre queria terminar o trabalho a tempo de ir para a reunião especial... O cais, no fim da rua de paralelepípedos, era um bloco de cimento, à beira da água, onde os barcos pesqueiros estavam amarrados.
Quando Pierre chegou ao cais, o barco de seu pai estava lá. Pierre começou a trabalhar, ajudando a descarregar o peixe das redes o mais rápido que podia. Ele pegava mãos cheias de peixe frio e molhado e os colocava em cestos, e então ajudava seu pai a carregá-los para a carroça. Os cavalos estavam parados, esperando pacientemente até que a carroça estivesse cheia. Pierre queria ser tão paciente como eles, mas finalmente o serviço terminou e ele podia ir embora. Mesmo estando cansado, ele subiu a rua para a praça.
CARTAZ 5
Dentro da tenda Pierre se admirava com tudo. Certamente aquela era uma tenda magnífica com dois grandes postes centrais e bonitos bancos de madeira para as pessoas sentarem. Um grande número de meninos e meninas estava esperando ansiosamente pela reunião. Bem em frente estava um pequeno órgão, que uma moça bombeava com os pés enquanto tocava. Havia um cavalete. Talvez alguém fosse pintar um lindo quadro! Mas não havia animais ali. Pierre estava desapontado. Então a zeladora tinha razão, não era um circo!.
Senhor Marc, um homem alto num terno escuro, começou a ensinar aos meninos e meninas uma canção. Quando ele movimentava as mãos, regendo o cântico, sua gravata balançava para cima e para baixo. Ele parecia feliz enquanto cantava:
“Sim, Jesus me ama,
A Bíblia assim me diz”.
Pierre logo aprendeu as palavras e quando ele cantou se espantou: “É assim, Jesus me ama? Realmente?”
Senhor Marc conduziu o grupo a cantar muitos cânticos. Então ele sentou e senhor Jacques levantou um grande livro com capa preta e beirada dourada. Em francês o senhor Jacques perguntou: “Alguém sabe o que é isto?”
Pierre franziu a testa. Era um livro, mas ele sabia que não era esta a resposta que o homem queria. Ele queria saber que livro era aquele. Não era parecido com nenhum que ele tinha visto. Ele esperou que uma das outras crianças dissesse, mas havia só silencio - ninguém sabia.
“É a Bíblia”, disse o senhor Jacques - “sobre este livro estávamos cantando”.
“Oh” Pierre pensou. “Então é isto que ele é. Eu vou me lembrar da próxima vez”.
Senhor Jacques começou a contar uma história maravilhosa. Primeiro ele falou de um lugar chamado céu que tinha ruas de ouro, onde não havia doença nem remédio.
Pierre pensou em seu pai. Oh, se ele pudesse jogar fora o remédio e nunca mais voltar a tomar! Que maravilhoso!
O senhor falou sobre pecado. Pierre se mexeu em seu lugar porque sabia que muitas vezes foi mau. Ele olhou para Nadette, sentada com suas amigas, e pensou como ele a tinha provocado até que ela chorasse.
Senhor Jacques continuou falando que o Senhor Jesus Cristo morreu na cruz pelos pecados de todos. Pierre se sentiu aliviado. Algumas vezes quando foi à igreja com sua mãe ele ouviu sobre Jesus Cristo, mas nunca entendeu que Jesus morreu por ele - em seu lugar. Ele nunca soube realmente porque Jesus tem que morrer.
Por fim o senhor Jacques disse: Você quer que Jesus tire seus pecados e lhe dê uma nova vida? Se você quer, por favor fique em pé e eu irei falar com você depois que todos tiverem ido embora”.
“Eu quero muito”, Pierre pensou, e ele ficou sentado no banco, mesmo quando a maioria das outras crianças foi embora, mesmo quando Nadette saiu da tenda.
Senhor Jacques cuidadosa e lentamente recordou o que havia contado a todos os meninos e meninas sobre o Senhor Jesus Cristo morrendo por seus pecados. Pierre sentiu uma felicidade interior enquanto o senhor Jacques falava sobre Jesus e Seu amor pelas crianças.
Então o senhor Jacques perguntou a Pierre se ele gostaria de orar. Pierre queria falar com o Senhor Jesus, mas quando pensava nas muitas orações que havia decorado , ele sabia que nenhuma delas era certa para falar agora. Então ele balançou sua cabeça, mostrando que não podia.
“Então eu vou ajudá-lo”, disse o senhor Jacques.
Pierre se ajoelhou ao lado do senhor Jacques, e lentamente orou. “Querido Jesus. Eu sei que sou pecador e sinto muito por pecar. Eu sei, também, que você morreu por meus pecados. E eu lhe peço agora para entrar em minha vida. Eu lhe agradeço por vir. Amém”.
O senhor Jacques lhe deu um livro vermelho - o evangelho de João - e Pierre correu para fora da tenda.
CARTAZ 6
Pierre correu o mais que podia subindo a rua de paralelepípedos. E enquanto corria, seu coração cantava! Ele sabia que o Senhor Jesus o amava. Sim, era verdade! O livro dizia assim! Que maravilha!
Ele não parou nem para falar com a zeladora. Subiu os 102 degraus para contar a papai as maravilhosas novas e mostra-lhe o livro!
MOSTRE NOVAMENTE O CARTAZ 5
No dia seguinte Pierre voltou para tenda. Desta vez havia mais meninos e meninas lá. Alguns não voltaram. Talvez seus pai não tivessem deixado. Mas outros vieram, e Pierre ficou surpreso em ver seu pai sentado na última fila! Seu fino rosto estava sério enquanto prestava atenção.
De novo o senhor Marc ensinou as crianças a cantar. E então o senhor Jacques colocou pedaços de flanela vermelha no cavalete de modo que parecesse uma cruz.
CARTAZ 7
Sobre os pedaços de flanela havia figuras de 6 coisas maravilhosas que aqueles que aceitam a Jesus como Salvador recebem: Cristo; um coração limpo; um anjo da guarda; o Espírito Santo, simbolizando numa pomba; seu nome escrito no Livro da Vida do Cordeiro; e um dia , o Céu! Era tudo tão maravilhoso! Pierre nunca se sentiu tão feliz em toda a sua vida.
Quando terminou de falar, o senhor Jacques disse: “Se você quiser que o Senhor Jesus entre em sua vida, deve ficar em pé e eu irei falar com você depois da reunião”.
A maioria das crianças correu para fora, para o sol, mas o pai de Pierre levantou e andou para frente. Pierre correu para ele, pegou sua áspera mão, e foi para frente com ele, agradecido que papai queria conhecer o Senhor Jesus.
Pierre e papai sentaram no banco da frente perto do senhor Jacques. Pierre prestou atenção quando papai explicou: “Por anos eu tenho procurado por paz no meu coração. Eu tenho ido a igrejas, e a reuniões de diferentes religiões, e mesmo para a biblioteca, mas nunca ouvi uma explicação tão simples que Jesus fez tudo; e quem crê, tem paz no coração”.
“Isto é verdade”, o senhor Jacques concordou, com uma felicidades expressa em seus olhos castanhos. Então ele abriu sua Bíblia e explicou mais para papai. Enquanto prestava atenção, lágrimas encheram seus olhos. Ele tirou seu lenço e tentou limpar suas lágrimas, mas elas continuavam a vir.
“Vamos orar”, disse o senhor Jacques. Pierre se ajoelhou com papai e o senhor Jacques, dizendo em seu coração tudo o que o senhor Jacques e papai oravam. Repetidamente Pierre exclama: “Que maravilhoso!”
Naquela noite papai foi à reunião para os adultos, e toda noite, enquanto o missionário estava na cidade, ele foi às reuniões. Papai até comprou uma Bíblia e ter um Bíblia era realmente ótimo, porque Pierre nunca conheceu ninguém que tivesse uma! Era bom que eles tinham uma Bíblia, porque logo o senhor Jacques foi embora, dizendo que voltaria em um ano.
CARTAZ 8
Um dia, em maio, Pierre estava indo para casa depois da aula quando viu o senhor Jacques e o senhor Marc montando a tenda. Ele correu para o senhor Jacques, chamando: “Você voltou! Você voltou!”
O senhor Jacques acariciou Pierre na cabeça: “Sim, eu voltei. E como vai você?”
“Eu estou bem e quero aprender muito mais sobre Jesus”.
“E como está seu pai? O senhor Jacques perguntou. “Eu gostaria de vê-lo de novo”
Pierre hesitou um minuto, olhando para baixo, então ele afastou suas lágrimas e olhou para cima. “Ele está no Céu com o Senhor Jesus. É verdade, nós sentimos muito sua falta, mas eu sei que ele não ficará mais doente e não vai mais precisar tomar qualquer remédio. Ele era feliz nestes poucos meses antes de nos deixar. Mamãe e Nadette crêem também. E eu, bem, eu estou contente em saber que ele está no Céu maravilhoso!
“Eu sinto por você que ele tenha partido”. Disse o senhor Jacques, com tristeza, “estou feliz com você que ele encontrou Jesus como seu Salvador”.
“Sim, sim, e agora outros precisam saber de Jesus também. Posso ajudá-lo a distribuir os convites? E eu lhe digo: esta tenda...” Pierre olhou ao redor, e acenando com a mão na direção da tenda branca, disse: “... é muito melhor que um circo. Muito melhor!”
OBS.: Esta é uma história verdadeira que aconteceu na França


ADI MACEDO

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